Google TV enfrenta resistências para cooptar redes de TV

Em março eu falei sobre a nova ideia da Google para levar a Rede até os televisores de casa. O serviço deveria ser lançado em outubro próximo, mas ao que parece estão complicando para que a empresa consiga conteúdos de qualidade necessários para fazer com que o sistema faça sentido: ou seja, o das grandes redes de televisão.
Nas recentes semanas reuniram-se com o pessoal da Viacom, Disney, NBC Universal e News Corp., as corporações donas de praticamente todas as redes importantes dos Estados Unidos, para convencê-los que se juntem ao novo serviço, o problema é que os donos do conteúdo não estão certos de que Google possa oferecer um modelo de negócios que não vá a canibalizar o próprio negócio das emissoras.
Google, por enquanto, ainda não finalizou o modelo de negócio que vai tirar proveito da nova tecnologia que estão desenvolvendo, já que querem esperar avaliação de seu uso. Ademais, a ideia da empresa é oferecer sua poderosa busca, oferecendo como resultado as diversas formas nas quais podemos ver um conteúdo, seja desde o site das próprias redes de TV -se estas autorizarem, claro- até os serviços como Hulu ou comprando em Amazon.
O tema é que ali também se misturariam, por exemplo, vídeos do YouTube, e este detalhe de misturar tudo, gera um temor às redes de TV de que seu precioso conteúdo vá competir com pirataria. Google TV também reproduzirá Flash, com o qual o conteúdo de sites como Hulu ou Comedy Central estaria disponível no serviço, coisa que seguramente as companhias de cabo não vão gostar nem um pouquinho.
E tudo isto leva a que, sem o conteúdo que as pessoas querem consumir, Google não poderá vender espaço publicitário aos grandes anunciantes, destinando Google TV ao fracasso econômico. Então, para seu lançamento, se Google seguir sem ter muito sucesso nestas negociações, é provável que a Google TV conte só com pequenas editoras de vídeo independentes dispostas a fazer que seu conteúdo chegue a mais pessoas.
A ideia de Google, nas palavras de Vicent Dureau chefe de TV technology da companhia é:
- "Queremos usar a Internet para mudar a experiência televisiva. Não há nenhum plano secreto. Não estamos desenhando um foguete que vai à lua. Ao final do dia, a história é simples. Estamos colocando o navegador na TV para permitir um montão de coisas que os estúdios e redes televisivas já estão fazendo hoje, mas de uma forma menos desarticulada."
Mas claro, uma das vantagens da televisão é a simplicidade de usar o controle remoto e acessar o conteúdo sem muitas firulas, coisa que com o conteúdo on-line necessita mais passos e que para o consumidor padrão de televisão ainda constitui um obstáculo. A criação da Google TV estaria sim realmente mudando -creio que para melhor, é tudo uma questão de costume- a experiência à que milhões de pessoas estão acostumadas.
Acho normal que as grandes redes de televisão resistam, já que veem como uma ameaça de extinção a seu modelo retrógrado e ultrapassado, mas assim como os jornais vendedores de papel para embrulhar peixe e a milionária indústria da música, vão ter que se adaptar, reformular seu negócio para se integrar em um mundo onde os conteúdos estão, cada dia mais, on-line para servir os novos aparelhos e dispositivos (computadores, celulares, e espero agora televisores) de uma audiência sedenta de consumir bons conteúdos quando e como queiram.
Via | The Wall Street Journal.
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