Ministério de Cultura deixa de usar licenças Creative Commons

Algumas pessoas temiam que a nova ministra da cultura -Ana de Hollanda- detivesse a arrastada, porém acertada, agenda da reforma da lei de direitos autorais no Brasil. Não estavam equivocados.
Ao que parece, durante a celebração da Campus Party em Sao Paulo, a licença Creative Commons foi retirada da página do Ministério da Cultura. A nova licença: diz: "Licença de Uso: O conteúdo deste site, produzido pelo Ministério da Cultura, pode ser reproduzido, desde que citada a fonte". Uma lástima, o licenciamento anterior -agora só em cache- era muito melhor.
O que deve causar preocupação entre especialistas legais, acadêmicos e a sociedade em geral é que a Creative Commons está intimamente relacionada com o movimento de software livre. De forma irônica, até mesmo nos EUA, de onde vem a maioria da pressão de donos de conteúdos -especialmente das fonográficas-, a própria Casa Branca usa uma licença Creative Commons tanto para o conteúdo produzido pelo governo quanto também para qualquer conteúdo postado por qualquer pessoa em seu website.
Espero morder a língua, mas a indicação de Ana de Hollanda, cuja maior credencial é ser irmã de Chico Buarque, parece muito com o da ministra da cultura da Espanha, Ángeles González-Sinde, roteirista e diretora de cinema, que ao longo de sua carreira se viu beneficiada pelo regime atual de propriedade intelectual. González-Sinde está tentando de todas as formas criar uma lei para criminalizar o download de certos arquivos arquivos (filmes e músicas) na internet.
O país apontava na direção correta para a reforma, de uma forma justa para toda a sociedade e coerente com os desafios que o mundo digital implica. O Projeto de Lei de Direitos Autorais e sua agenda de Cultura Digital criada por Gilberto Gil foram um dos fatores que definitivamente me levaram a crer que a reforma podia estar bem encaminhada. Agora, já não sei de mais nada.
De qualquer forma ainda é cedo para saber exatamente que direção tomará o novo Ministério. Mas quando uma ministra indica que a cultura não vai ser gerenciada de forma neutra, as coisas parecem não cheirar nada bem...
Notícias relacionadas:
- Por que a pornografia não pode ter copyright? (direitos autorais)
- Veja a declaração completa do Departamento de Justiça contra MegaUpload (direitos autorais)
- Tomando a sopa com as mãos (direitos autorais)
- Mulher ganha julgamento contra Universal Records (direitos autorais)
- Advocacia-Geral da União exige bloqueio de contas que alertam sobre blitzes no Twitter (lei)
- 20 países se comprometem a respaldar a liberdade na Internet (lei)
- O enunciado de Godwin (lei)
- Países Baixos converte-se no primeiro país europeu a adotar a neutralidade na rede por lei (lei)
- Altamira - uma das mais importantes grutas pictóricas da Idade da Pedra (cultura)
- Escreva corretamente... ainda que seja um troll (cultura)
- Qual é o livro de ciência mais divulgado da história? (cultura)
- Hatsune Miku, o holograma 3D que enche estádios no Japão (cultura)
- CERN Publica os primeiros resultados do Colisor de Hádrons sob licenças Creative Commons (licenca)
- Google muda a licença do WebM para evitar problemas (licenca)
- Avira Antivir Premium com chave de licença gratuita por 1 mês (licenca)
- Twitter anuncia @anywhere, uma integração da plataforma em qualquer site (licenca)
Comentários
Com todo respeito, o texto ficou muito confuso. Só deu pra entender no último parágrafo o seu posicionamento e o que exatamente você quis dizer. Claro, considerando que eu li muito rápido.