Quando a criança fantasia um amigo

O amigo imaginário é um ser que só existe na imaginação de uma criança, mas parece ser absolutamente real para ela, como se pudesse vê-lo. Brinca, fala, chama pelo nome (Charlie) e até mora com ele. A criança tem total domínio do que criou – pode modelar, modificar e manipular sua invenção como quiser. E também determinar a duração desse “relacionamento”.
Esse fenômeno, que surge principalmente entre 3 e 7 anos, não é tão raro, e não há motivos para preocupações. Os amigos imaginários estimulam o desenvolvimento das crianças, podem suprir eventuais lacunas afetivas e ajudam na elaboração de questões psíquicas.
A nitidez com que a criança parece ver o amigo “de mentirinha”, assusta. Mas não se trata de fantasias patológicas (psicoses). Os pequenos sabem muito bem que seus parceiros não são reais e que só existem em sua imaginação.
Companheiros imaginários podem ajudar as crianças a combaterem sentimentos de abandono, solidão, perda ou rejeição. Por outro lado, crianças em comprometido estado físico e psíquico, por abuso ou negligência, inibem a propensão ao jogo e não criam amigos imaginários.
Crianças com companheiro imaginário podem se expressar melhor e se colocar no lugar do interlocutor, são criativas, maduras e psicologicamente estáveis. Podem apresentar também mais qualidades sociais, como empatia.
A fantasia e a criatividade se modificam no decorrer do desenvolvimento da criança. Na idade escolar a criatividade aumenta. Com o passar dos anos, altera-se não apenas a percepção de si mesmo e das importantes pessoas de referência, mas também dos companheiros imaginários. As relações com outros, tornam-se cada vez mais significativas.
Enfim, na adolescência, a pessoa sente necessidade de troca emocional com o amigo ou amiga real. Alguns começam a escrever diários, uma forma muito particular de vivenciar a própria criatividade e imaginação. E o amigo invisível vai se tornando menos nítido. Se ele cumpriu sua função, não só é deixado de lado, mas também esquecido – um sinal de que a criança conseguiu dar mais um passo em seu desenvolvimento de forma criativa.
Charlie, pensei em você.
Via | Viver Mente.
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Comentários
Sei lá...Não gosto de pensar nisso,até pq eu qndo criança não tive amigo imaginario.
As crianças são "preenchidas" por amigos imaginários.
Os adultos, por deuses, santos e virgens.