Religiosos colocam ateus e violadores no mesmo saco

Pesquisadores das universidades de British Columbia e Oregon publicaram recentemente um estudo no qual asseguram que as pessoas com firmes crenças religiosas tendem a desconfiar dos ateus bem mais que de outros grupos, religiosos e não, como seguidores de outros credos (judeus, muçulmanos, etc.), feministas ou homossexuais. Curiosamente, o único grupo do qual os religiosos desconfiam tanto quanto dos ateus é o dos violadores. Do outro lado, no entanto, os ateus mostram-se bem indiferentes em julgar a confiança sobre pessoas religiosas.
Estudar estes preconceitos é importante na medida em que afetam âmbitos particulares da vida cotidiana, por exemplo, a decisão de contratar ou não uma pessoa, na qual parece influir a impressão de confiabilidade que se tem sobre ela mas que, no fundo, obedece a uma ideia não necessariamente verdadeira baseada em suas crenças religiosas.
Will M. Gervais, o autor principal da publicação, surpreende-se que os crentes sintam essa aversão por um grupo que é, em termos gerais, tão difícil de identificar, e pensa que talvez isto se deva a que estas pessoas se sintam cômodas convivendo com outras que também creem em algum tipo de poder superior mitológico com a capacidade de avaliar suas ações e de propiciar crime ou castigo.
- "Se um religioso acha que [Deus] está observando, mostrará seu melhor comportamento. Mas isto não pode ser aplicado em um ateu. E isto permite às pessoas utilizarem as crenças religiosas como um sinal de quão confiável pode ser uma pessoa".
Outra explicação para a aversão seria que a simples existência de ateístas coloca em cheque a (frágil) fé cristã, dado a que não há nenhuma outra relação possível e como todos sabemos religião não define caráter; afirmação facilmente comprovada com um avassalador percentual da população carcerária (mais de 80%) que se declara cristã.
Ainda que caberia perguntarmos sobre a possibilidade de extrapolar as conclusões deste estudo a outros contextos, pois seria sem dúvida um bom motivo para refletir não só sobre a maneira em que as crenças de uma pessoa moldam sua maneira de perceber e aceitar o mundo que lhe rodeia, senão em geral sobre como os preconceitos se escondem no mais profundo de nosso entendimento, quase sempre disfarçado de certezas das quais nunca nos atrevemos a duvidar.
O estudo integral de Will M. Gervais e Azim F. Shariff pode ser lido no seguinte endereço: Do You Believe in Atheists? Distrust Is Central to Anti-Atheist Prejudice.
Via | Vancouver Sun.
Notícias relacionadas:
- Cientistas detêm a degeneração celular em cérebro de ratos (estudo)
- O sucesso da paquera depende do uso dos pronomes (estudo)
- Além de corromper, o poder é tão viciante quanto a cocaína, assegura pesquisador (estudo)
- Filmes adultos podem desativar a parte visual de teu cérebro (estudo)
- Quais alimentos que incrementam nossa inteligência? (estudo)
Comentários
O que ainda é mais bizarro, muitos "violadores" pertencem a grupos religiosos, a maioria cristã. Não tenho uma pesquisa para dar dados concretos, mas a pelo menos, os mais conhecidos eram.
Bem, lá vamos nós de novo...
A "frágikl" fé cristã tem resisitido à séculos e séculos e construído um mundo melhor (ou alguém aí esqueceu que no tempo em que hospitais e escolas não eram fonte de lucros, foram as instituições cristãs que os criavam ou administravam?). É muito simples : o que é verdadeiro permanece, o que é falso o tempo destrói. Ou isso só vale para outros aspectos sociais ? Complicado é ver gente que até tem certa instrução defender a idéia mega-ultrapassad de que o sentimento religioso tem a ver com medo, ignorância, ingenuidade. É um simplismo conveniente dizer que 5000 anos de monoteísmo e 2000 anos de cristianismo são nada. Acorda gente! Dizer que todos os que pensam diferentes de vcs são burrinhos é tapar o sol com a peneira. Se querem ser cientistas, com pensamento investigativo ? Abandonem esse simplismo...
"Religião não define caráter", é uma verdade incontestável. A maioria dos vagabundos fica se escondendo atrás da máscara religiosa para realizar suas maldades, basta lembrar dos padres pedófilos.
Muitos religiosos fazem o bem espelhados na sua crença, não há como discordar e isso é muito elogiável; porém a história conta que a religião fez muito mais o mal do que o bem. Uma mentira inquestionável repetida durante muito tempo se torna verdade para despreparados e medrosos e acaba se tornando um senso comum. Então se os cristãos se sentem bem comparando ateístas a estrupadores, não vejo problema nenhum em relacioná-los com jumentos. Afinal se esta gente ainda não percebeu, ateísmo é só a descrença em deuses. Só isso, no mais há crentes e ateus bons e maus.
Claro que foram as instituições cristãs que os administravam os hospitais, quem mais teria os recursos. Mas isso foi no tempo que a religião era o governo, Hoje temos o estado laico.
Os religiosos vivem pensando que a moral vem da religião, a população carceraria é a prova que isso não é verdade. Disso eles paracem ter medo.
Por isso colocam os ateus junto com os violentadores, pois os violentadores não tem moral alguma.
Mas eles estão enganados, e não estão fazendo muita diferença para o mundo não.
Talvez estejam até causando dano.
Como se os ateus se importassem com o que pensam. Nós não acreditamos no que voces pensam, nos não nos importamos.
A grande maioria dos cristãos (99%) são um bando de hipócritas. Repudiam os ateus, mas se fossem coerentes com a bíblia tentariam a aproximção para tentar converter. E qual a diferença de comportamento de um ateu e um cristão. quase nada. só que um se acha que está "salvo" só por dizer que acredita. não faz nada mais. Muitos acham que ser ateu é ser contra deus. não sou contra deus. se eu suspeitasse que ele existe estaria ao seu lado.Pq so ateu? pq não so otário! sou a minoria esmagadorra, com toda convicção e orgulho, uma das mais sábias decisões da minha vida. Nos vemos no inferno!