Pesquisa com babuínos revela que status social incide positivamente na saúde

Durante muito tempo pensou-se que estar no topo da escala social é, em termos gerais, ruim para a saúde humana, pois, como dizia o sábio tio Ben? "Grandes poderes trazem grandes responsabilidades!", de forma que comumente as posições privilegiadas estariam associadas a altos níveis de testosterona, o que por sua vez afetaria negativamente a integridade corporal, diminuindo a capacidade do sistema imunológico e incrementando o risco de morte.
No entanto, ao menos entre os primatas, diversos estudos oferecem evidência contraditória sobre este fenômeno, pois observaram que os machos na cúspide da hierarquia têm também uma ótima saúde.
Recentemente um grupo de cientistas publicou na revista cientifica PNAS os frutos de 27 anos de pesquisa sobre o comportamento dos babuínos, particularmente aqueles que habitam em Amboseli, uma região do Quênia. Os pesquisadores examinaram a relação entre o bem-estar corporal dos animais e sua classe dentro do grupo social, levando em conta doenças e ferimentos que pudessem ter acontecido, bem como o tempo que levaram para se recuperar. O estudo centrou-se nos machos pela dificuldade que representa ponderar as circunstâncias reprodutivas e de procriação das fêmeas.
Ainda que talvez não seja de todo surpreendente, descobriram que os chamados machos alfa se curam bem mais rápido do que o resto dos macacos, seja de uma doença ou de uma ferida, inclusive em uma situação em que a testosterona e os glicocorticoides se encontravam suficientemente elevados como para suprimir seu sistema imunológico.
Ao que parece isto se deve ao fato de que o estresse dos machos alfa é o chamado "estresse bom", o mesmo que gerado durante o exercício ou a prática sexual e, no caso dos babuínos dominantes, produto de sua posição sempre triunfante em todo desafio.
Neste cenário de satisfação pessoal -pois não aparecem nenhum dos efeitos adversos do estresse; como medo, descontrole, sensação de ameaça- tanto a testosterona como os glicocorticoides agem em sentido oposto e terminam melhorando o sistema imunológico. Assim, o contato social converte-se em um fator para "apagar" a reação negativa do estresse.
Via | Time.
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