Alimentos orgânicos? Não são mais saudáveis, ainda que sim mais caros

LuisaoCS

Alimentos orgânicos? Não são mais saudáveis, ainda que sim mais caros

A popularidade dos produtos orgânicos cresceu consideravelmente nos últimos anos pese a que, muitas vezes, o preço destes alimentos chega a ser o dobro que o dos convencionais. Vale a pena a maior despesa? Segundo um estudo científico da Universidade de Stanford, cujas conclusões foram publicadas no Annals of Internal Medicine, os alimentos orgânicos não parecem mais saudáveis. Especificamente a pesquisa indicou que "A literatura científica atual não tem nenhuma evidência, sequer, para sugerir que os alimentos orgânicos sejam mais nutritivos do que os alimentos convencionais."

O estudo consistiu em analisar 240 artigos científicos relacionados com esta matéria, que também indica que não existem diferenças entre ambos tipos de alimentos. A pesquisa sintetizou os resultados de 17 estudos realizados com humanos com alimentação orgânica e convencional e 223 que comparavam os níveis de nutrientes, bactérias ou contaminação por pesticidas em ambos os tipos de alimentos. Apenas um nutriente, o fósforo, aparece em maior medida nos alimentos orgânicos, algo que, segundo os pesquisadores, não tem muita relevância clínica.


Também há uma diferença entre os níveis de pesticidas detectados, já que os alimentos orgânicos possuem 30% menos risco de contaminação que os produtos convencionais. Contudo, os autores do estudo asseguram que as frutas e verduras orgânicas não estão totalmente livres de pesticidas e que, de qualquer maneira, todos os alimentos costumam estar dentro dos limites permitidos.

Por conseguinte, os resultados repetem os que foram apresentados em 2009 por um estudo da Agência de Padrões Alimentícios (FSA) do Reino Unido em relação as alegações de salubridade da indústria de produtos orgânicos.

- "Há pouca diferença, se houver, nutricional entre alimentos orgânicos e produzidos convencionalmente e não há nenhuma evidência de benefícios adicionais de saúde ao comer alimentos orgânicos".

Ainda que nesse caso, ressalvam que o sabor e seu maior respeito pelo meio ambiente talvez sejam fatores que façam inclinar a balança para os alimentos orgânicos. Razões que, ainda podendo ser verdadeiras, provavelmente não são suficientes, por si próprias, para fazer com que as pessoas gastem o dobro em seu carrinho de compras.

Ou seja, com base em pesquisas científicas feitas até agora, não há diferença nenhuma em se alimentar com orgânicos ou convencionais e ninguém pode garantir -a não ser que seja leviano- que um é mais saudável do que o outro, mas os fanáticos dos orgânicos acham que a espécie humana devia esquecer o "artificial", o "veneno" (como eles gostam de dramatizar) e voltar, a fazer a agricultura sustentável. De novo, voltar ao orgânico impõe esquecer-se de que somos milhares de milhões de pessoas no mundo e não só um grupo de ecologistas, gente do bem e cool.

Se voltássemos ao orgânico, muita gente morreria de fome, e todas as selvas do planeta deveriam ser devastadas. Isso se deve a que a agricultura orgânica produz pouco, tal e qual explica Matt Ridley em seu livro "O Otimista Racional - Por Que o Mundo Melhora":

"Isto se deve a química básica, já que a agricultura orgânica evita qualquer tipo de fertilizante sintético, acaba com os nutrientes minerais na terra, particularmente o fósforo e o potássio, mas finalmente o sulfeto, o cálcio e o manganês. Este problema é resolvido acrescentando rocha triturada ou farinha de ossos de pescado à terra. Estes têm que ser extraídos ou, lógico, pescados. Seu problema principal, no entanto, é a deficiência de nitrogênio, que pode ser revertida semeando leguminosas que fixam o nitrogênio do ar, que devem ser misturadas na terra com um arado ou dando de comer ao gado, cujo esterco adubará a terra posteriormente.

Se nos sujeitarmos a tudo isso, talvez consigamos que uma parcela de terra cultivada organicamente produza tanto quanto uma parcela de terra cultivada não organicamente. No entanto, deveríamos usar terra extra para cultivar os legumes e dar de comer ao gado, o que termina duplicando a área de cultivo.

Claro está que esta trabalheira toda justifica o preço mais elevado do alimento orgânico, ninguém está duvidando da capacidade e da entrega das pessoas que se dedicam a esta agricultura, principalmente no âmbito familiar. O que não está nem um pouco certo e que constitui uma falácia, um grande embuste, é a propaganda enganosa (isso é crime) de dizer que o preço é maior porque é "mais saudável".

E a ladainha de diminuir a dependência de combustíveis fósseis?

"A não ser que o alimento orgânico queira ser caro, escasso, sujo e podre, tem que ser produzido intensivamente, e isso implica o uso de combustível. Na prática, meio quilo de alface orgânica, cultivada na Califórnia sem fertilizantes sintéticos nem pesticidas, que contém 80 calorias, requer 4.600 calorias de combustível fóssil para chegar ao prato do cliente em um restaurante da cidade: semear, replantar, colher, refrigerar, lavar, processar e transportar tudo isso consome combustível fóssil. Uma alface convencional requer também 4.800 calorias. A diferença é trivial."

Como vemos, o discurso de bicho-grilo é "lindo", difícil é colocá-lo em prática. Os agricultores orgânicos, ademais, recusam também a tecnologia da modificação genética, apesar de que foi um invento brilhante da década dos anos 1980 como alternativa mais amável à "cria por mutação" que usava raios gama e químicos carcinógenos.

"Sabiam que esta era a forma em que muitas culturas foram produzidas durante os últimos 50 anos? Sabiam que grande parte da massa que comemos vem de uma variedade de trigo submetido a radiação? Sabiam que a maioria das peras asiáticas crescem em enxertos também radiados? Ou que a Golden Promise, uma variedade de cevada especialmente popular entre os cervejeiros orgânicos, foi criada em seu início em um reator nuclear britânico nos anos cinquenta através de uma mutação em massa de seus genes seguida de uma seleção? Nos oitenta, os cientistas chegaram a um ponto no qual, em vez desta mistura aleatória dos genes vegetais que produzia resultados incertos e muito dano genético colateral, podiam pegar um gene conhecido, com uma função conhecida, e injetá-lo no genoma de uma planta para que surtisse assim a transferência horizontal de traços entre espécies que acontece relativamente pouco entre as plantas na natureza (ainda que seja muito comum entre micróbios).

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Comentários

Devemos lembra aos fãs dos orgânicos, que o principal fertilizante dos produtos orgânicos é uma água densa cheia de bosta!

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