O futuro da política energética depois do vazamento de petróleo no Golfo

Eu vou voltar a falar no assunto por considerá-lo a maior tragédia ambiental da história apesar dos meios de comunicação insistirem em falar em pior acidente dos EUA. O vazamento de petróleo do Golfo do México segue sem controle e alguns analistas já o chamam de "9/11 da política energética", em relação às consequências que possa ter no futuro do consumo de recursos dos Estados Unidos. É justa esta comparação, ou é só uma exagerada retórica?
Uma das promessas da administração Obama foi impulsionar as energias renováveis em detrimento da dependência do petróleo. Os EUA detectou a ameaça em potencial que implica sua necessidade deste combustível fóssil. Em princípio, as propostas pareciam mais uma aproximação experimental, uma maneira de gerar energia de suporte para reduzir o consumo de petróleo, sem chegar a substituí-lo. No entanto, esta hecatombe poderia modificar a perspectiva. Obama já falou a respeito:
- "Além do risco inerente de escavar quatro milhas abaixo da superfície da Terra, nossa dependência do petróleo significa que seguiremos enviando cada mês bilhões de dólares de nossa riqueza a outros países, incluindo muitos em regiões perigosas e instáveis."
Agora que a água (manchada de petróleo) bateu na bund@ dos estadunidense, a visão mudou: o problema já não é como obter o petróleo a qualquer preço (como na administração Bush), senão que o petróleo se tornou "o problema". No entanto, mudar a política energética dos Estados Unidos -e com ela, a do mundo inteiro- não se trata somente de trocar os combustíveis fósseis por energias renováveis, senão fazê-lo o mais rápido possível. Esta mudança implicaria também em reduzir a demanda energética, impulsionar a conservação, e inclusive reestruturar os ambientes urbanos. A mudança resultaria em um impacto global na economia, resultando em uma nova geopolítica energética.
Não obstante, esta mudança não é muito simples. Adotar a energia renovável, tal como propõe agora Obama, implica renegociar o estilo de vida da classe média estadunidense, uma questão complicadíssima. Como ensinar um povo acostumado ao esbanjamento e a comodidade, a ajustar seu consumo de energia quotidiano? Aí está um grande desafio, porém cujo maior beneficiado seriam os próprios americanos em detrimento dos países cuja economia depende do petróleo ou, pior, cuja economia segue em direção ao topo com base nas descobertas de novas jazidas de petróleo (nosso caso). Melhor colocarmos às barbas de molho, os estadunidenses não dão ponto sem nó.
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