O pequeno laboratório de química

Luna

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Ela pisca, ele pisca. É assim que os besouros que já vêm com pilhas, possuindo uma das habilidade mais fascinantes da natureza - a bioluminescência, namoram. Voando por aí e piscando na escuridão para chamar atenção da fêmea e avisar que estão nas redondezas, temos os machos. Eles possuem asas, as fêmeas normalmente não, elas ficam esperando bem tranquilas pousadas emitindo sua luz mais fraca para indicar que 'Ei, estou aqui!'

As piscadas nem sempre são sinais de amor à vista, e podem ser muito perigosas, tudo porque cada espécie tem um jeito seu de piscar, isso é legal e ajuda a achar a parceira certa, mas algumas fêmeas são sagazes e aprendem a imitar o pisca-pisca das outras, atraindo o macho para uma armadilha fatal - elas o devoram sem dó. O mágico pisca-pisca da natureza têm uma vida curta, é por isso que ele só pensa naquilo, ele tem pouco tempo para voar, encontrar a parceira sexual certa e acasalar.

O poder emitir luz do vaga-lume e sem esquentar-se, é algo realmente incrível, da energia que produzem, mais de 90% vira luminosidade o pouco restante se perde em calor. A cor da luz emitida depende do tipo de aminoácido que entra na formação das lucíferas. Na parte inferior do abdômen estão as lanternas, ali habitam os fotócitos, células especiais que produzem luz. O interruptor que acende essas lâmpadas é o sistema nervoso central, estimulado pela mudança da luz ambiente, de claro para escuro, ou pela presença do sexo oposto. O tecido que emite a luz é ligado na traquéia e no cérebro, dando ao inseto total controle sobre ela.

Na hora do clic, a molécula de ATP, armazenadora repleta de energia, provoca a reação do oxigênio com uma substância chamada de luciferina. Não excomungue o bichinho, ele não é coisa de Lúcifer! A luciferina é o pigmento capaz de emitir luz fria. Também entra em ação a enzima luciferase ( lúcifer = que traz luz), proteínas compostas por um montão de aminoácidos, que é a enzima responsável pelo processo de oxidação biológica.

Para cada molécula de trifosfato de adenosina consumida durante a reação, um fóton de luz é emitido. Tudo isso resulta na molécula de oxiluciferina, que à essa altura está excitada com energia sobrando, pronta para se perder em forma de luz. E o processo está sempre recomeçando, dentro deste pequeno e extraordinário laboratório de química. E assim a lanterna brilha, brilha, brilha...




Via | super.


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