Uma simples experiência gedanken

LuisaoCS

Uma simples experiência gedanken

Em 1896 o jovem Albert Einstein, que por aquela época alcançava seus 17 anos de idade, foi enviado à pequena localidade suíça de Aarau para terminar seus estudos secundários. Alojado como hóspede na casa de um de seus professores, Jost Winteler, o adolescente, além de dar corda solta a seus hormônios flertando com a filha de Winteler, ocupava seus momentos livres em outros curiosos pensamentos.

Chegava a seu quarto, acendia o lustre, e depois de alguns instantes pensativo, o garoto colocava sua massa cinzenta para funcionar e dizia para si próprio:

- "Imaginemos que posso correr tão rápido como queira. E mais, imaginemos que posso me mover tão rápido que pudesse viajar à mesma velocidade que a luz que sai de meu lustre. Sou tão veloz que viajo à mesma velocidade, exatamente a mesma.. O que eu veria? Como veria a luz se pudesse correr junto a ela com a mesma rapidez?"


Restavam apenas quatro anos para chegar o século XX e Einstein, que já tinha estudado Maxwell e Newton com certa profundidade, não conseguia entender algumas coisas.

- "Se a luz e eu viajássemos à mesma velocidade, nesse caminho juntos a luz estaria parada em relação a mim. Veria a luz em repouso e isso é impossível: se a luz existe é simplesmente porque se move, porque viaja. Assim como não existe uma onda parada, a existência da luz se deve a que se move e portanto não posso vê-la em repouso... logo, é impossível que eu possa me mover à velocidade da luz".

Uma década mais tarde, em 1905, Albert Einstein revolucionaria o mundo da ciência publicando uma série de artigos científicos entre os quais se encontrava sua famosa teoria da relatividade.

Aquelas corridas imaginárias de juventude à velocidade da luz, que o próprio físico relatou em diversas entrevistas antes de sua morte, foram a semente de seu posterior trabalho e no mundo da ciência é conhecido como "experimentos gedanken". São hipóteses imaginarias realizadas mentalmente para compreender como funciona a Natureza, uma espécie de experimento pensado, um barato laboratório preparado em nosso cérebro.

Outro personagem que se dava muito bem com estes experimentos gedanken era Nikola Tesla que passava horas visualizando mentalmente seus talentos. O gênio dos mil e um inventos deixava voar sua imaginação durante longos momentos desenvolvendo estruturas, criando planos e artefatos que, primeiramente, funcionavam em sua cabeça.

Assim foi que certo dia, sentado em um parque, em um destes momentos de pensamentos em ebulição, imaginou um mecanismo e foi desenvolvendo-o mentalmente. Pouco depois buscou desesperado um lápis e um papel para deixá-lo impresso por escrito, mas não conseguiu encontrar nada a seu alcance. A única coisa que lhe ocorreu foi desenhar com seu dedo na areia daquele parque. Quando chegou a sua oficina e começou a trabalhar no que havia concebido, descobriu que tudo encaixava perfeitamente... acabara de criar o primeiro motor trifásico de corrente alternada.

Ao longo da história muitas das descobertas e avanços realizados pela ciência, aconteceram em primeiro lugar na mente de quem, observando a realidade, aventurou-se a imaginar o que ocorreria se pensasse.

Uma simples experiência gedanken

Sabendo agora que não é tão difícil (para alguns) imaginar consequências a partir de condições hipotéticas, vamos nós fazer uma tentativa.

Comecemos primeiramente com cálculos mentais simples, ainda que com bastante zeros. No ano passado, o consumo mundial de petróleo atingiu um novo recorde situando-se em 86,60 milhões de barris por dia . Tendo em conta que um barril de petróleo tem 42 galões ou 159 litros, a multiplicação fica a seguinte:

86.600.000 barris x 159 litros = 13.769.400.000

Ainda que não seja nada científico, vamos arredondar um pouco: consumimos diariamente quatorze bilhões de litros de petróleo. Todos os dias. A cada vinte e quatro horas.

Em 1956 e realizando cálculos similares aos que realizamos para o consumo atual de petróleo, o geofísico Marion King Hubbert se aventurou a realizar uma predição sobre as reservas dos Estados Unidos e adiantou que, no final da década de 60, a produção de petróleo norte-americana chegaria a seu ponto máximo para a partir daí começar a decair.

Muitos consideraram então que as predições de Hubbert não eram nada mais que meras especulações mentais enfeitadas com bonitas funções gaussianas sem nenhuma base real. Até que em 1971 cumpriu-se o que havia dito e o geofísico ficou famoso com aquela teoria do pico de Hubbert.

Mas continuemos com nosso gedanken e acrescentemos alguns elementos a mais para imaginar que futuros cenários poderiam se apresentar ou quais seriam suas possíveis consequências.

Vivendo em um planeta finito onde, como é evidente, os recursos naturais acabarão tarde ou cedo, o seguinte movimento deveria contemplar a demografia e a quantidade de energia necessária para cobrir suas necessidades.

A ONU estima que no ano 2050 a população mundial chegará aos 9 bilhões de habitantes e a demanda de energia, segundo um estudo publicado pela própria multinacional do petróleo Shell, será três vezes maior que a do ano 2000.

O escritor e semiólogo italiano Umberto Eco disse uma vez, como metáfora muito esclarecedora, que no dia em que os chineses começassem a limpar a bund@ com papel higiênico poderíamos nos despedir da Amazônia. Pois bem, vivemos em um planeta no qual poucos já se conformam só com o papel higiênico, também querem (e com todo o direito) seus próprios iPhones, carros de 16 válvulas, telas de plasma superplanas e ar acondicionado para o verão. E 9 bilhões é muita gente.

O mundo que desfrutamos no momento aconteceu de lá pra cá, foi criado em poucas décadas. Em menos de um século passamos da carroça e do cavalo de nossos avôs ao avião supersônico. Nossa vida, nossa comodidade, nossos pequenos (ou grandes) sonhos foram-nos chegando a um ritmo espetacular, possuímos tecnologia que, com o sorriso cúmplice de Clarke Gable, passaria perfeitamente por magia há alguns anos. No entanto, é como se fossemos um gigante com os pés no barro.

Nossa grande civilização se baseia na realidade em plantas mortas que, tarde ou cedo, terminarão nos presenteando com uma sonora bofetada de realidade e uma verdadeira crise, uma das bens gordas.

E as crises não costumam vir sozinhas em nossos dias, a bolha imobiliária americana desinflou a bolsa que levou a uma crise financeira que desembocou em crise econômica mundial, e no entanto, isto não é mais que um arranhão comparado com as machadadas que nos esperam ali na esquina.

Façam seu próprio gedanken, proponham seu experimento mental e tentem prever o futuro cenário que nos espera, resolvendo uma equação mental onde há que diminuir o petróleo, somar população, acrescentar demanda de energia e finalizar com uma mais que possível mudança climática. As conclusões de meus arrazoamentos não são nada alentadoras.


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Comentários

FANTASTICO em maiusculo e letras garrafais esse topico.
Indentico aos meus estudos e relatos sobre o valor da IMAGINAÇÃO.
Vou nao somente compartilhar mas dar uma força levando o link da materia.
Estou por esses dias relendo um classico sobre o poder do subcosnciente em nossas vidas.
Descobri por esses dias que o poder do mesmo vai muito,mas muito além da frase de chamada Lei da Atração.
Vou resumir em algumas linhas o que eu simplesmente estou petrificada.
Tenho um blog de artigos de autoajuda virtual.Desliguei-me do FB e do Orkut por motivos obvios. Ambos somente devem servirem para serem usados,como ferramentas de marketing e não deixar que usem-nos sobre suas leis fajutas internas.
E consegui algo inacreditavel em quase 3 anos de blog.No ultimo ano ou seja esse actual 20011,tive quase 8 milhoes de acessos,sem utilizar um unico anuncio pago,via google ou pela praça do facebook.
Simplesmente renovo os textos,actualizo o inicio das postagens e criei um artigo chamado A CARTA MAGICA DA PROSPERIDADE e detalhe no final de cada postagem.
Conclusao:SUCESSO ABSOLUTO!
Mas o que quero dizer é que esse mesmo mecanismo pode fazer verdadeiros milagres,pode ser utilizado para inumeras coisas e que por incrivel que pareça pode ser usado como o BUSCA de qualquer servidor. Arrepiei-me inteira quando li a parte de Tesla.
Porque é assim que funciona comigo porem desenvolvi o dom de Influenciar a distancia.
Algo bizzarro é quase inacreditavel mas verdadeiro.
Beijos!

balaio de gato,
a mt pode auxiliar no desenvolvimento da mente

- carros, + bicicletas;
- petróleo, + energia solar, eólica, e outras tantas maneiras de captção;
+ gente, ++ consciência de coletividade;
+ gente, +++ respeito à natureza.

:)

ps: correção.
* como a colega
* dignico, é digno
ps2: as faltas de acento não contam~
aqui tem vários, coloque do jeito que preferir
`````````´´´´´´´´´~~~~~~ççççççççç^^
^^^^^^^^

Por isso eu costumo a pensar algumas estratégias.

A primeira é um controle populacional agressivo, com penas severas como a castração para quem tiver mais do que
4 filhoes e penas menores para quem tiver menos, a responsabilidade tem que ser de todo mundo.
Ja que ao que parece, simplesmente educação não está mais dando certo, e temos pouco tempo. e será necessário pensar primeiro na espécie e nas outras formas de vida do planeta e depois no unico individuo. Da mesma forma que se pensa ao fazer um tratamento de cancer, algumas celulas boas infelismente precisam morrer para o ser como um todo sobreviver.
E para que o controle funcione os governo precisam passar por cima do que o que as religioes acham, elas não tem mais poder mesmo, vão fazer o que? guerra santa? que façam, isso vai contribuir para o controle populacional de qualquer forma.
O planeta provavelmente nem suporta mais os 7 bilhoes de humanos, e nem é tanto sacrificio ter somente 1 ou 2 filhos por casal.
Se isso não for feito, a segunda alternativa é pior. a crise financeira pode criar um cenario caotico dignico de jogos, como o colega comentou acima.
De qualquer forma, guerras enormes podem ocorrer e vão ajudar a diminuir a população humana.
Se a primeira estratégia é baseada em diminuir o consumo, a segunda estratégia será aumentar a produção de energia eletrica, e o unico jeito é energia nuclear, aproveitando a fissão e pesquisando sobre a fusão.
Pois os biocombustiveis não são eficientes e precisariamos de plantar em toda a terra e tambem cultivar sobre os oceados para poder suprir a demanda.
O que seria uma extrama estupidez, ja que 1 hectare de cana produz 100000w de energia por hora (duvido, especulando altamente), 1 atomo de uranio produz 1000w por segundo, usando a fissão, a fusão é 100 veses mais potente e usaria tritio (agua do oceano serve para conseguir tritio).
E ainda temos a sorte de ter mais de 80 milhoes de toneladas de uranio enterrados na crosta terrestre. O Brasil pode se tornar tão rico quanto dubai. Isso seria suficiente para 15 bilhoes de pessoas consumirem durante 800 anos, antes de iniciarmos as grandes colonizações espaciais.
Agora se conseguirmos fazer a energia de fusão nuclear funcionar, então teremos tecnologia do star wars. poderemos fazer coisas imensas que consomem quantidade colossais de energia.
Talves nesse caso possamos ter mais de 30 bilhoes de humanos no futuro, mas a terra seria destruida para produzir tanta comida. Então somente conseguiremos ter mais que 10 bilhoes de pessoas se cultivarmos a comida no espaço. Alias quando conseguirmos isso, não precisariamos mais da terra e poderiamos deixar ela em paz e viver no espaço.

Corrija-me se eu estiver errado nos calculos, posso ter me enganado, faz tempo que li essas informacoes.

Desculpe pelos erros de portugues, sou meio dislexo e não constumo escrever em portugues. mesmo sendo minha lingua padrao, eu leio e escrevo mais em ingles.

Eu gosto de imaginar um mundo com as pessoas apenas lutando para sobreviver. Assim como nossos ancestrais passavam o dia fugindo de feras e caçando seu alimento. Mas muito, muito pior, como em Mad Max, em que as pessoas se matam por um pouco de gasolina. Mas, só na minha mente isso é interessante.

Se todos pensarmos de forma negativa, não nos moveremos para mudar as direções. Quando foi que começamos a pensar que o mundo estava perdido e não tinha mais jeito? Para que servem noções de futuro e as previsões? E a nossa mente racional, toda essa tecnologia? Não é para que possamos dar novos rumos e evitar o que pode ser evitado? Ou será que é para nos conformamos, e vivermos confortavelmente o hoje como se o amanhã não importasse?

Alguém disse que em menos 50 anos o petróleo dará seu ultimo suspiro. As pessoas já começaram a buscar alternativas. Até aí, tudo bem, não há como cessar o uso do petróleo, não há como viver num mundo moderno sem energia que supra as necessidades. Enquanto o petróleo estiver lá, até a ultima gosta será sugada.

Meu medo é com relação a natureza em geral, todo esse estrago que está aí, do qual ninguém escapa de uma parcela de culpa. É o sistema equilibrado que faz da Terra o planeta perfeitamente habitável e rico em vidas. Com um mundo suportando 9 bilhões para comer, e consumir, é óbvio que a natureza vai ficar cada vez mais sobrecarregada, e em ultimo plano, sempre.

Quando esgotarmos um recurso, buscaremos outros, e outros, e outros. Sempre haverá desvantagens e perdas para a natureza. Em ultimo caso, o dinheiro e as necessidades de quem pode pagar, sempre serão levados em conta, primeiramente. Se precisarmos lançar mão do etanol para mover os carros, por ex, vamos imaginar a falta de qualquer outra alternativa, por mais que ele seja extremamente inviável, ele será usado, mesmo que custe danos ao ambiente, e signifique mais fome.
Eu fico realmente fascinada quando vejo alguém resgatando um bicho, levando-o para um lugar seguro, e tratando dele. Essa pessoa poderia muito bem se acomodar a um pensamento: do que vale meu esforço para salvar um bicho, se uma poderosa multinacional de petróleo consume com milhares deles de uma só vez?

Tem gente se dando o trabalho de desenvolver uma prótese para que um imenso elefante velho volte a andar. Ou largando tudo e indo em ruma a uma nação desconhecida, para ajudar quem precisa. Embora, todas as previsões sejam nada boas, temos que imaginar e fazer as melhores. Milhares de pessoas já passaram pelo mundo, fizeram e deixaram coisas incríveis, e não estão mais aqui. Elas sabiam que não estariam, mas fizeram para os que iriam ficar e o que iriam chegar.

Talvez, a unica maneira seja uma sacudida tremenda em nós, humanos. Custará muito caro, mas talvez seja a unica que não signifique o fim para esse planeta e sua biodiversidade.

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