Eu quero dar à luz um golfinho - Um projeto conceitual para os seres humanos gerarem sua própria comida por Ai Hasegawa

LuisaoCS

Eu quero dar à luz um golfinho - Um projeto conceitual para os seres humanos gerarem sua própria comida por Ai Hasegawa

A designer japonesa Ai Hasegawa visualizou o projeto mais bizarro e seguramente polêmico dos últimos tempos. Para resolver o problema da fome, a crise de espécies em extinção e nossa avidez para reproduzir-nos, Ai propõe dar a luz golfinhos mediante placentas sintéticas, e depois, se for o caso, consumir sua carne.

O projeto imagina um ponto no futuro no qual os humanos ajudarão às criaturas em perigo de extinção por meio da tecnologia avançada da biologia sintética. Uma "placenta golf-humana" que permite que uma mulher possa dar a luz um golfinho e assim se tornar mãe adotiva de uma espécie em perigo de extinção.

- "Para além disso", aponta em seu site, - "Os gourmets poderão desfrutar do luxo de comer um animal raro feito por seu próprio corpo".


O vídeo que apresenta está envolvido de romantismo descabelado. E ainda que seria algo que algumas mulheres gratamente experimentariam em um sonho, dificilmente quereriam sequer considerar o fato na realidade. Ademais, se esta ideia teórica se tornasse biologicamente possível, o mais seguro é que nenhuma mulher iria querer comer seu próprio filho golfinho.

A proposta tem muitas falhas, muitas perversões e um pouco de crueldade. Para começar, o instinto maternal pode ser aliviado adotando um bebê humano; a fome não se resolveria comendo golfinhos de proveta; e o projeto está bem apresentado para satisfazer o prazer gustativo pelo exótico e pelo estranho, algo com o que os japoneses se relacionam muito bem.

"Quero dar a luz a um golfinho", no entanto, propõe uma série de perguntas importantes. Introduz o argumento de dar à luz sua própria comida e questiona a maternidade de maneiras até agora inexploradas. Na verdade acho que deve ser visto como um projeto artístico e não como algo a ser hipoteticamente realizado; mais como um sonho de estranheza poética do que como uma proposta eco-política: um perturbador amor instintivo à água e às formas cetáceas atravessado e enraizado pela intelectualidade, ao caráter utilitário e a japonesice.

Via | MDig.


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