Quão normal você é? Segundo este psicólogo a normalidade é um mito

LuisaoCS

Quão normal você é? Segundo este psicólogo a normalidade é um mito

Você conhece realmente uma pessoa "normal"? Quando observamos de perto qualquer indivíduo -inclusive a nós mesmos- não se trata de seres monótonos, que literalmente têm apenas um tom, senão que nos encontramos com diferenças, tensões, contradições em diferentes níveis que nos fazem ser quem somos e que nos permitem seguir mudando e nos desenvolvendo.

No concernente a psiquiatria e a psicologia a divisão binária entre pessoas normais e anormais é uma mitologia que, de acordo com o doutor Gabor Maté, tem a ver com a disponibilidade de medicamentos, com a autoridade médica e com o sistema econômico, pois o anormal -como bem mostrou Foucault- é aquele que está excluído, antes que outra coisa, do sistema econômico, da produção e do consumo: o anormal (o doente, o excluído, o louco) é o que não trabalha nem compra nada.


Em vez de mover neste código binário, Gabor propõe pensar a doença mental a nível da sociedade inteira: observar sociedades africanas ou orientais onde a esquizofrenia, a depressão, a desordem bipolar, etc. são traços de personalidade que têm lugar na comunidade e cuja expressão está autorizada pelo meio social, sem a necessidade de dividir entre sãos e doentes, pois inclusive os doentes têm lugar e precisam compaixão. Gabor afirma:

"Segundo a pesquisa, o melhor lugar para ser esquizofrênico não é nos Estados Unidos, com toda sua farmacopeia, senão uma pequena aldeia da África ou Índia, onde há aceitação, onde as pessoas dão atenção as suas diferenças, onde a conexão não se rompe senão que se mantém... onde há lugar para que você atue e expresse o que precisa expressar; onde toda a comunidade canta com você, ou dance contigo, ou faça cerimônias, e onde talvez possam achar algum sentido na sua suposta loucura."

Para Gabor, a sociedade cria a doença ao idealizar o individualismo e a personalidade, produzindo assim um ideal de normalidade inalcançável que tem a ver com fatores como a disponibilidade para o trabalho, para o trajeto, para a participação em dinâmicas sociais, etc. Contextos onde as necessidades emocionais das pessoas podem entrar em disputa com as exigências do sistema econômico. Não valorizamos as pessoas pelo que são, senão pelo que produzem ou consomem.

Talvez não estejamos aqui para obedecer e acatar (impossíveis) regras de normalidade, que bem a bem ninguém sabe em que consistem, senão que para conhecer e desenvolver nossa própria diferença, para conhecer a nós mesmos, como reza o dictum de Delfos, mas definitivamente nosso destino não pode ser assimilado à condição instrumental de peças da engrenagem capitalista, ou lembrando Raul: - "A arte de ser louco é jamais cometer a loucura de ser um sujeito normal."

Via | Wash your brain.


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