A maior parte do que percebemos é uma ilusão criada por nosso cérebro

LuisaoCS

Diz o historiador e teórico Georges Didi-Huberman em seu livro "A invenção da histeria": "Mas quem sabe que é a “coisa real”? Quem sabe onde está a linha divisória entre o que inventamos e a realidade?" Ao que parece a neurociência cognitiva tem algumas respostas a respeito.

Segundo estudos realizados pela neurocientista Susana Martínez-Conde, diretora do laboratório de Neurociência Visual do Instituto Barrow, em Phoenix, a maior parte da realidade é inventada pelo cérebro, pois pese a sua complexa estrutura, também é uma máquina limitada.


Susana assegura que nossa visão -ainda que inferior à resolução de quase qualquer câmera- é bem mais nítida e detalhada graças a pequenas ilusões criadas por nosso cérebro, pois em realidade este não só se baseia na informação registrada pelo olho, senão que mostra pontos de informação crítica da cena que nos rodeia, o que faz com que tenhamos mais informação, mas que ao mesmo tempo fiquem múltiplos vazios, lacunas que são preenchidas mediante ilusões criadas a partir da informação circundante.

Dentro dos estudos realizados por Susana, entre outros colegas do laboratório do referido instituto, encontram-se certos achados como o "foco de atenção" ou a "cegueira à mudança". O primeiro refere ao ato de focalizar a atenção em algo, ação que é realizada perceptualmente, enquanto tudo o que nos rodeia é suprimido tanto perceptual como neuronalmente; no caso do segundo ("cegueira à mudança") a informação próxima no tempo é considerada como fixa, isto acontece, segundo relata, devido ao número de neurônios com os quais contamos e suas conexões, bem como o tamanho de nosso cérebro. Se quiséssemos perceber a realidade tal qual é precisaríamos de um cérebro tão grande como um edifício.

No entanto, Susana assevera que apesar do que se pensava, estas ilusões, estas invenções do cérebro, não são erros na percepção, senão que representam mecanismos intrínsecos de uma vantagem evolutiva, já que poupa recursos necessários para enfrentar ao que ocorrerá no futuro.

Muito do trabalho de Susana centrou-se no estudo (teórico e prático) da magia e como esta opera em nosso cérebro, lançando informação muito útil sobre o funcionamento de nossa peculiar máquina mental.

A neurocientista assegura que a magia está adiantada quanto à manipulação da atenção e a percepção, pois opera sob conceitos inovadores em ciências cognitivas, como o "foco de atenção" ou a "cegueira à mudança", o que abre um campo de estudo que pode ajudar a fornecer informação sobre o conhecimento de nossos processos mentais.

A "cegueira à mudança" empregada também como estratégia na magia é um termo introduzido em 1997 pelo psicólogo Ronald Rensink. Podemos ver alguns efeitos criados por dita cegueira tanto no vídeo superior quanto o abaixo:


Notícias relacionadas:

 

Comentários

Nenhum comentário ainda!

Deixe um comentário sobre o artigo