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O Reino Unido quer banir a homeopatia

Ministros do Reino Unido estão considerando uma decisão inteligente: banir de vez a homeopatia dos tratamentos que podem ser prescritos por médicos que trabalham no Serviço Nacional de Saúde (NHS). No momento, o NHS gasta 4 milhões de libras (23 milhões de reais) em receitas médicas homeopáticas a cada ano. Mas uma consulta deverá ser realizada no próximo ano para considerar a proscrição.
O movimento começou com uma campanha da Good Thinking Society, que pedia para adicionar a homeopatia na lista negra da NHS, e ameaçou levar o caso aos tribunais. A lista negra, também conhecida como Anexo 1, já proíbe a prescrição de mais de 3.000 produtos, incluindo fitoterápicos inócuos, protetores solar, e vinho.
Correlação não implica causalidade

Apesar de que seja uma das advertências mais repetidas, sobretudo no âmbito da ciência, também constitui um dos erros ou ilusões cognitivas mais frequentes. Referimos-nos ao teste de causalidade proposto por Clive Granger que visa superar as limitações do uso de simples correlações entre variáveis: "correlação não implica necessariamente causalidade" (relação de causa e efeito).
A confusão entre a correlação e causalidade é fator base de muitas confusões e concepções equivocadas. A correlação, isto é, a ligação entre dois eventos, não implica necessariamente uma relação de causalidade, ou seja, que um dos eventos tenha causado a ocorrência do outro. Em poucas palavras, o que descreve esta advertência é que se dois fatos se produzem ao mesmo tempo ou parecem estar relacionados entre si, isso não significa necessariamente que um dos fatos seja a causa do outro.
O curandeirismo mata mais que o crime organizado

A próxima vez que alguém alegar que as crenças são respeitáveis (quando o que são respeitáveis são as pessoas) e que cada um pode crer no que queira, por muito irracional que seja, por muito estúpido que resulte para a ciência convencional, e que tudo isso resulte inócuo, há que recordar que, por exemplo, o curandeirismo mata mais que os crimes. Ao menos é o que afirma o psicólogo Thomas Dashiff Gilovich, professor da Cornell University, nos EUA, em um de seus livros clássicos.
As crenças não provadas cientificamente, isto é, à medicina alternativa (quando a medicina alternativa prova sua eficácia se transforma em medicina) e o curandeirismo, não só podem invadir as mentes das pessoas simples ou incultas. Todos tendemos à credulidade e nem sempre dispomos de tempo ou ferramentas para nos defender da estupidez.
Alguns problemas de saúde de 1911 seguem vigentes em 2011

O primeiro editorial de 2011 da prestigiosa revista The Lancet olha 100 anos atrás e analisa outro editorial publicado pela própria revista, com o título "As promessas de 1911", no qual fica evidente que muitos dos temas médicos relevantes de cem anos atrás seguem hoje vigentes.
O editor da publicação médica em 1911, Squire Sprigge, falava do "demônio da tuberculose", uma doença infecciosa que hoje segue atuante: 2,7 milhões de pessoas morreram no ano passado por causa do bacilo da tuberculose, a maioria na África, e nos últimos anos surgiram variações resistentes aos antibióticos.
Placebo extremo: manipulando as expectativas das pessoas

O efeito placebo é certamente poderoso. É capaz de fazer-nos melhorar os sintomas de uma doença, e inclusive é capaz de curar-nos, quando em realidade não estamos tomando nenhum medicamento senão simples água com açúcar (por exemplo).
Ainda há muitas sombras sobre como funciona o efeito placebo e como é possível que nossa mente, se confiar em determinado remédio, é capaz de melhorar nosso estado de saúde. A única certeza é que funciona, e que funciona de uma maneira espetacular: por essa razão os ensaios clínicos sobre novos medicamentos são tão complicados, para certificar se realmente o medicamento foi responsável pela melhoria da doença ou apenas a própria confiança do paciente no novo remédio.
As 5 maiores contribuições de Carl Sagan à Ciência

No dia da sua morte o presidente da Academia Nacional de Ciências dos EUA disse que Carl Sagan, mais do que qualquer outro cientista contemporâneo, soube despertar a paixão popular e mostrar a maravilha e a importância da ciência. Criador da inesquecível série de televisão "Cosmos: uma viagem pessoal", também foi agraciado com o Pulitzer e contribuiu para algumas das missões mais importantes da NASA nos anos 70 e 80.
Claro, Sagan tinha um monte de defeitos. Dizem que era maconheiro, um narcisista incorrigível e um pai irresponsável. Bem, pelo menos até a meia-idade, quando conheceu sua terceira esposa, Ann Druyan, que aparentemente o colocou nos eixos e quando seu trabalho de divulgação científica realmente rendeu.
No entanto, antes de morrer de pneumonia em 20 de dezembro de 1996 aos 62 anos, depois de uma batalha de dois anos com uma rara e grave doença na medula óssea (mielodisplasia), Sagan mudou a face da ciência moderna, a partir de sua pesquisa inovadora para seus trabalhos mais vendidos de não-ficção. Depois do salto descompactamos cinco das maiores contribuições de Sagan para a ciência.
A história do inseto inexistente que come pedras

Não é incomum, nos dicionários e enciclopédias, encontrar exemplos de entradas fictícias, algumas delas para capturar as pessoas que violam os direitos autorais copiando literalmente alguma entrada ou simplesmente como travessura. Esta classe de artigos são conhecidos como mountweazel, em homenagem a fotógrafa estadunidense Lillian Virginia Mountweazel, que em realidade nunca existiu.
Um dos casos de mountweazel mais célebres ocorreu na Wikipédia alemã. Nela aparecia uma entrada com referência a um inseto de mentira chamado Leuchtschnabelbeutelschabe, que finalmente a comunidade wikipedista decidiu apagar, ainda que se manteve como fidedigna desde 2003 até 22 de julho de 2008. Mas quero falar de outro inseto. Comia pedras. E também é de mentira.
A diferença entre um bom pesquisador e um mau pesquisador

Como já escrevi em outros artigos, algumas pessoas tem um feio costume de atacar a ciência, sem saber citar ao menos um argumento sobre o assunto. Desconhecem, ou se fazem de tontos, que a ciência dispõe de alguns protocolos dificilmente criticáveis e que são os cientistas, as pessoas, que às vezes a usam malevolamente.
O melhor exemplo para discernir entre um bom cientista ou um mau cientista (isto é, entre um pesquisador que emprega corretamente os protocolos da ciência e um que não), é a história de Wilhelm Conrad Röntgen, um físico alemão que em 8 de novembro de 1895 produziu radiação eletromagnética no comprimento de onda correspondente ao que chamamos atualmente de raios X. Mas Röntgen tentou por todos os meios demonstrar que ele estava equivocado.
Um pesquisador de fenômenos pseudo-científicos raramente apresentará seus indícios com essa modéstia, levando em conta que está desafiando o conhecimento acumulado durante séculos: simplesmente afirmará que descobriu algo e que a ciência ortodoxa é muito cega para admitir que tem razão ou outro destes argumentos vagos, próprios de quem tem pouco à contribuir e ponto
Röntgen, no entanto, não deixou de confiar no método científico. Durante seus experimentos, descobriu que podia ver através das coisas, como um super-herói. Testou com objetos dentro de caixas de madeira e também conseguiu vê-los. O momento mais assustador foi quando viu boquiaberto os ossos de sua própria mão. Mas Röntgen não correu imediatamente aos meios de comunicação para anunciar sua descoberta. Sabe o que pensou?
Por que somos tão tontos?

Como explicam admiravelmente autores como o psicólogo Gary Marcus, no ótimo livro "Kluge", ou o neurologista David Linden, no também excelente "Touch: The Science of Hand, Heart, and Mind", nosso cérebro é uma geringonça, um amontoado de remendos que assombra não por sua harmonia senão porque parece funcionar o suficientemente bem apenas para nos manter vivos.
É que nosso cérebro é propenso às ilusões visuais, auditivas e até cognitivas, que ficam em evidência nas falácias que cometemos diariamente. O pior de tudo, não obstante, é que nem sequer somos conscientes da imperfeição que é nossa maneira de pensar e como facilmente somos enganados pelos nossos sentidos.
Somos racionais por um fio. De fato, a maioria do tempo, somos mais estúpidos do que racionais. A tudo isso somemos que tendemos a inventar explicações para encher nossas lacunas de conhecimento, ainda que essas explicações sejam incoerentes.
Vinte conselhos para interpretar resultados e publicações científicas

Por estes dias, vi um link para uma notícia no Facebook, que, com fogos de artifício, dizia: "Cientista respeitado prova que Deus existe". Evidentemente logo desconfiei do "Cientista respeitado", mas para que pudesse opinar seria necessário, primeiro, ler a matéria, foi o que fiz.
De fato a notícia era real, o título sim era fantasioso e exagerado ainda que guardasse algumas verdades em tese. O artigo era um resumo sobre algumas teorias que vem ganhando força recentemente e que já escrevi bem mais de um par de vezes sobre o assunto: a possibilidade de estarmos vivendo dentro de uma simulação computadorizada e que deriva em que o "Deus" do referido título sensacionalista pode ser um nerd alienígena brincando com o game no qual vivemos.
Todos conhecemos bem a característica incauta do senso comum facebookiano, que logo compartilhava a referida notícia aos milhares, comentários louvavam o tal cientista dando mostras de que ninguém havia lido nada ou, se sim, não tinham entendido patavina, o que é muito comum quando se envolve teorias quânticas. O mais cômico é que alguns poucos que tentavam explicar do que se tratava eram ignorados e chamados paradoxalmente de burros. O que me lembra de uma frase dita por meu pai:
- "Sabe como devemos chamar um idiota com muitos sectários? De senhor... é melhor chamar de senhor!"